Sessão Solene em homenagem aos 35 Anos da Morte de Wilson de Souza Pinheiro.

Sessão Solene em homenagem aos 35 Anos da Morte de Wilson de Souza Pinheiro.

Sessão Solene em homenagem aos 35 Anos da Morte de Wilson de Souza Pinheiro.

Discurso proferido pelo Deputado Angelim, no dia 17/06/2015, no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Sr. Deputado Hildo Rocha, que preside a sessão, Sr. Deputado Leo de Brito, autor do requerimento desta homenagem, meu querido amigo e ex-Governador do Estado do Acre Binho Marques, Sr. Pedro Armengol, Diretor da CUT, minha querida amiga Deputada Erika Kokay, minhas senhoras e meus senhores, no dia 21 de julho de 1980, tombava pela mão assassina do latifúndio mais um mártir da luta dos trabalhadores no Brasil. Nesse dia fatídico era assassinado Wilson Pinheiro, Presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Brasileia e Presidente da Comissão Municipal do Partido dos Trabalhadores naquele Município.

Wilson Pinheiro ficou mesmo conhecido como líder do Mutirão contra a Jagunçada, quando centenas de trabalhadores enfrentaram e desarmaram os bandoleiros que ameaçavam os posseiros da região, razão pela qual foi marcado pelos latifundiários da região, mandantes do seu assassinato.

Se for verdade que a luta em defesa das populações tradicionais e dos povos da floresta nasce em Brasileia com a criação do primeiro sindicato de trabalhadores rurais do Estado do Acre, esse nascimento é fruto da luta de Wilson Pinheiro e de seus companheiros.

Segundo Boris Fausto:
"Os efeitos da ditadura militar no Acre foram devastadores. Em poucos anos, a calmaria das cidades acrianas foi transformada num inferno de conflitos, ameaças, assassinatos. O que havia sido vendido como desenvolvimento e bem-estar foi traduzido em uma invasão de grileiros, especuladores misturados a poucos investidores reais e a uma multidão de trabalhadores expulsos pelo latifúndio, que já havia tomado o Centro-Oeste do Brasil.

Logo todas as estruturas da secular sociedade acriana foram sacudidas de uma forma como nunca havia acontecido antes. Os ciclos de bem estar anteriores haviam sido criados a partir da exploração da floresta, especialmente da borracha.
Agora não, tratava-se de derrubar a floresta, desalojar famílias que há gerações ocupavam aquelas paragens, romper as cadeias de dependência mútua que geriram a sociedade acreana durante toda sua história."

Foi nessa conjuntura que surgiu a voz de um líder capaz de unir seu povo na luta para não deixar que o Acre se tornasse terra devastada de matas e homens. Era Wilson Pinheiro o líder dos povos da floresta em levante por justiça.

Wilson, um homem alto, destemido, de fala mansa e rara e olhar poderoso, não deixou uma palavra escrita ou gravada, mas nos deixou sua história de lutas. Seu silêncio reverbera hoje e sempre na lembrança de seus companheiros de luta e no exemplo que deixou para as novas gerações.

Morreu sem razão, assassinado covardemente pelas costas, pagando com sua vida para que seus companheiros pudessem continuar lutando por liberdade, justiça e pela sobrevivência da floresta.
Passados 35 anos do martírio de Wilson Pinheiro, muita coisa mudou no Acre. Muitos tombaram antes que pudéssemos construir um projeto vitorioso de democracia, em que prevalece a vontade do povo e a convivência sustentável com a floresta é um valor inarredável de nossas vidas.

A prosperidade que chegou ao Acre chegou também na Brasileia de Wilson Pinheiro. Instalou-se uma fábrica de beneficiamento de castanhas e outra de embutidos, surgiu o complexo industrial de aves, que estimulou a produção de milho e ração e possibilitou a instalação de um frigorífico, tudo isso sob um cuidadoso olhar para com o meio ambiente e regido pelos princípios da sustentabilidade.

Muito do que temos hoje no Acre em termos de desenvolvimento socioeconômico sustentável, de demarcação de reservas, de consciência ambiental é legado da luta e do martírio de Wilson Pinheiro.
Por isso, estamos aqui hoje reunidos para reverenciar a memória de um herói da luta dos trabalhadores no Brasil, um pioneiro tanto na vida quanto na morte.
Que Wilson Pinheiro viva sempre na memória do povo do Acre!

Quero cumprimentar, elogiar meu amigo e companheiro Deputado Leo de Brito por esta homenagem a essa liderança do nosso povo do Acre.
Das novas lideranças acrianas, temos aqui presente o ex-Governador Binho Marques, que participou ativamente do Projeto Poronga, que levou a educação à população dos seringais do Acre, e que foi amigo pessoal de Chico Mendes.

Meus cumprimentos ao Binho por sua presença e a todos nós que aqui representamos o povo do Acre.

Muito obrigado.

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